Em noite de poucas surpresas, Onde os Fracos Não Têm Vez é o grande vencedor.



Bastava ver a cara dos Irmãos Coen durante a cerimônia de entrega dos prêmios para perceber quem dominou o 80º Oscar. Não que eles aparentassem estar muitos felizes - Joel Coen parecia até desanimado -, mas sim porque não sabiam mais o que dizer depois de irem três vezes ao palco. Vencedor dos prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor (Joel & Ethan Coen), Melhor Roteiro Adaptado (Joel & Ethan Coen) e Melhor Ator Coadjuvante (Javier Bardem), Onde os Fracos Não Têm Vez confirmou o favoritismo, deixando para trás Sangue Negro que ficou apenas com os prêmios de Melhor Ator (Daniel Day-Lewis) e Melhor Fotografia, um saldo bem modesto para um filme tão grandioso.

         Foi um Oscar sem grandes surpresas e, talvez por isso, sem graça. A única coisa que não estava prevista - nem por ela mesma - era a vitória de Tilda Swilton na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, por sua atuação em Conduta de Risco. Marion Cotillard, que interpretou a maior cantora francesa de todos os tempos em Piaf - Um Hino de Amor, acabou ganhando na categoria de Melhor Atriz, o que não chegou a ser inesperado, embora Julie Christie parecesse ter mais chances. Outro acontecimento importante foi a merecida vitória de Juno (e de sua roteirista Diablo Cody) na categoria de Melhor Roteiro Original.

Em resumo, nada de especial ou surpreendente aconteceu. Uma possível explicação para isso é o fato de a cerimônia ter sido planejada em cima da hora em decorrência da greve dos roteiristas. No fim das contas, o aniversário de 80 anos do Oscar foi apenas a noite de Onde Os Fracos Não Têm Vez e nada mais.

Escrito por Mr. Woody às 17h56
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Três filmes e apostas para o Oscar




Sangue Negro: Eu havia falado que a grande batalha do Oscar seria entre Desejo e ReparaçãoOnde os Fracos Não Têm Vez. Isso até Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson, entrar em cartaz e provar que eu estava errado. O filme estrelado por Daniel Day-Lewis talvez não seja o grande favorito ao prêmio de Melhor Filme, mas sua qualidade é indiscutível. Debate temas como ganância e ambição (e até religião) ao contar a história de um fazendeiro, no fim do século XIX, que enriquece com a extração de Petróleo. Muitos estão dizendo que Sangue Negro é o novo Cidadão Kane. Eu discordo, porque esse filme não tem o caráter revolucionário que o filme de Orson Welles teve para sua época. Mesmo assim, Sangue Negro está sendo muito bem cotado e tem ganhado prêmios em todos os lugares, em especial para Day-Lewis que atuou de forma incrível e que deve, também, abocanhar o Oscar de "Melhor Ator". Vale muito a pena. Se tiver que escolher um filme pra ver, eis aí a minha sugestão.


Sweeney Todd: Eu esperava algo genial. Tão genial quanto todos os outros filmes da dupla Tim Burton-Johnny Depp. O resultado não é tão brilhante assim, mas está longe de ser uma mancha na carreira de ambos. Aliás, o que faz este musical sobre um barbeiro assassino sobreviver é justamente o talento de ambos: a habitual excentricidade de Depp e o show visual de Burton. O que talvez atrapalhe seja mesmo a estrutura da peça homônima na qual o longa se baseou: a história não é brilhante e as músicas - esse provavelmente é o maior problema - não são tão marcantes quanto deveriam ser para manter a empolgação. Mas, ainda assim, vale a pena ver essa nova produção de Burton, principalmente para quem é fã do trabalho dele. Destaque também para a pequena participação do sempre hilário Sacha Baron Cohen (Borat), no papel de um comerciante italiano.

Senhores do Crime:
Depois do elogiado Marcas da Violência, Cronenberg e Viggo Mortensen voltam a se encontram nas estranhas da máfia russa de Londres. É um filme corajoso que comprova o famoso ditado: "'as aparências enganam". E para que se chegue a essa conclusão, o diretor não poupa o espectador de litros de sangue derramados, estupros e prostituição. Mortensen, no papel de um enigmático – porém muito expressivo – integrante da máfia, mais uma vez fez tudo o que dele era esperado e acabou conquistando até uma indicação ao Oscar, embora seja um candidato praticamente nulo. Em relação a Marcas da Violência, nota-se uma grande evolução de Cronenberg na condução do filme. O resultado é muito positivo e vale ser visto.


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OSCAR 2008 - Palpites


Melhor Filme:
Onde os Fracos Não Têm Vez (a vitória de Sangue Negro não seria injusta)
Melhor Diretor: Joel e Ethan Coen (Julian Schnabel também está no páreo)
Melhor Ator: Daniel Day-Lewis (incontestável)
Melhor Atriz: Julie Christie (Marion Cotillard também tem boas chances. Será que Ellen Page pode surpreender?)
Melhor Ator Coadjuvante: Javier Bardem (incontestável II)
Melhor Atriz Coadjuvante: Cate Blanchett (Ela merece, mas a probabildade de Ruby Dee vencer também a grande)
Melhor Roteiro Original: Juno (Conduta de Risco, por ser mais sério, pode levar)
Melhor Roteiro Adaptado: Onde os Fracos Não Têm Vez (Novamente, não seria injusto se Sangue Negro ganhasse)
Melhor Animação: Ratatouille
(Há poucos chances, mas Persepólis pode surpreender)

Escrito por Mr. Woody às 18h02
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Juno: Longe de ser mais um filme bobinho



"Juno MacGuff é uma adolescente que engravida de maneira inesperada de seu colega de classe. Com a ajuda de sua melhor amiga e o apoio de seus pais, a menina conhece um casal que está disposto a adotar seu filho, que ainda nem nasceu". Por essa resenha do Yahoo! Cinema, Juno parece ser mais um filminho bobo feito para jovens. Mas, como diz o ditado, as aparências enganam; o fato é que Juno é um dos filmes mais originais da temporada e os motivos são três:


1) Roteiro:
Ex-stripper e estreante no mundo do cinema, Diablo Cody, a roteirista, partiu de uma idéia simples e transformou-a em um história muito inteligente. Os diálogos são ótimos e muito dinâmicos. Juno tem um humor ácido e é muito articulada, indo na direção contrária do esteriótipo de adolescente que Hollywood criou: bobinha e burrinha. Talvez seja isso que fascine tanto no filme: um pouco de alívio de ver que ainda há quem não veja os jovens como sendo sempre pessoas sem conteúdo algum. Méritos também ao diretor Jason Reitman (Obrigado Por Fumar), que entrou no clima na história e conseguiu traduzi-la muito bem para as telas.


2) Ellen Page: A atriz que interpreta a protagonista parece que nasceu para esse papel. Não no sentindo de que seja muito desafiador dar a vida à Juno - talvez até o seja -, mas é que impressão que a Ellen Page passa - e isso é um mérito - é que ela é uma pessoa, na vida real, muito parecida com a personagem-título. Além de muito simpática e bonita, dificilmente alguém que não fosse tão esperta quanto a Juno conseguiria atuar dessa maneira. Tão boa foi sua atuação que a atriz, de apenas 20 anos, concorre ao Oscar da categoria, além de ser considerada uma das grandes promessas de sua geração.

2) Trilha Sonora
:  Liderada pelas canções indie de Kimya Dawson, a trilha de sonora de Juno é um dos cds mais vendidos nos EUA. As canções são muito simpáticas e se encaixam muito bem no filme. Sucesso merecido! 



O filme tem quatro indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Atriz. Apesar de não ser grande favorito em nenhuma delas, quem sabe não consiga abocanhar ao menos o prêmio de roteiro. Mas as indicações já são uma vitória, já que não é sempre que um comédia tem tanta repercussão. Depois de Pequena Miss Sunshine brilhar, agora é a vez de Juno colher os merecidos frutos.

Escrito por Mr. Woody às 15h32
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A Grande Batalha:
Onde os Fracos Não Têm Vez x Desejo e Reparação

  

Desejo e Reparação venceu o Globo de Ouro. Onde os Fracos Não Têm Vez vem conquistando todo o resto, incluindo prêmios do Sindicato dos Atores e também dos Produtores. Não entrando muito no mérito de qual deles vai ganhar - eu aposto em Onde os Fracos Não Têm Vez -, a questão mais relevante a ser feita no momento é qual deles é o melhor:

 


Sinopses extraídas do site Adoro Cinema:


Desejo e Reparação:
Uma jovem usa a imaginação para acusar o filho do caseiro de um crime que ele não cometeu, o que muda a vida dele e também de sua irmã mais velha.


Onde os Fracos Não Têm Vez:
Um caçador pega uma valise cheia de dinheiro após encontrá-la com um traficante de drogas abandonado no deserto. Para recuperar o dinheiro é enviado um assassino psicótico, que precisará enfrentar também o xerife local.

 


Desejo e Reparação: O que primeiro chama a atenção neste filme é, sem dúvida alguma, a sua fotografia. As cenas são tão bonitas que, caso não recompensadas com um Oscar, podem se tornar uma das grandes injustiças da premiação. De resto, a história é provocativa e os atores a conduzem muito bem, com destaque para Saoirse Ronan que, com apenas 13 anos, está indicada na categoria de "Melhor Atriz Coadjuvante". Méritos também ao diretor Joe Wright, que mostrou uma evolução incrível em relação ao seu último filme Orgulho e Preconceito. Em resumo, Desejo e a Reparação é um filme que merece todos os elogios. Porém, será que supera Onde os Fracos Não Têm Vez? Veremos a seguir.


Onde os Fracos Não Têm Vez: Se o que mais chama atenção em Desejo e Reparação é a fotografia, no caso deste novo filme dos Irmãos Coen o fator diferencial é Javier Bardem, interpretando um serial killer. Sua atuação foi tão impressionante que, se sua participação se resumisse apenas ao primeiro momento em que seu personagem aparece, ele já mereceria o Oscar de "Melhor Ator Coadjuvante" ao qual está concorrendo (e que deverá ganhar). Além de Javier, outro ponto importante é o "renascimento" dos Coen,  que apesar da indiscutível competência, vinham fazendo filmes apenas medianos (Matadores de Velhinhas, O Amor Custa Caro). O fato é que Onde os Fracos Não Têm Vez é o melhor longa da dupla, não só pela direção, que criou todo um clima de terror e suspense de dar frio na barriga, mas também pelo inteligente roteiro que discute a violência dos tempos modernos. Filmão!


Veredicto: Apesar de ambos serem ótimos, não há como não apontar Onde os Fracos Não Têm Vez como o vencedor dessa batalha de gigantes. Vamos esperar pela noite de Oscar e ver se minha opinião bate com a dos membros da Academia. Porém, uma coisa é certa: os dois filmes têm que ser assistidos!



Escrito por Mr. Woody às 15h13
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